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5 Dicas para explorar a festa junina como prática pedagógica

Por Luísa França

22 de jun de 2018 Escola

As festividades de junho e julho mobilizam grandes esforços de muitas escolas. Algumas delas paralisam suas atividades para se dedicar à festa!

A animação é grande em torno das deliciosas comidas como pé de moleque, canjica, pamonha, bolo de milho, das bandeirinhas, das roupas, do chapéu de palha, dos meninos pintando bigodinhos e das meninas pintando sardinhas.

Entretanto, aspectos importantes sobre o entendimento dessa celebração são esquecidos: Seus alunos conhecem as origens das festas juninas? Sabem por que comemos tantas iguarias de milho e de onde vêm as danças? Sua escola aproveita os festejos para ensinar também os aspectos culturais e históricos para os estudantes?

Para ajudar você e sua escola a dar mais significado para a festa, aproveitando-a como prática pedagógica e, é claro, divertindo-se bastante, separamos 5 dicas:

1. Entender e explicar o sentido original da festa

Qual a origem da festa junina? Descobrir isso pode ser o primeiro passo para a contextualização da festa. É importante motivar os alunos a buscar essa resposta, para compreenderem a origem da tradição.

Saber que a tradição vem dos festejos de agradecimento aos santos pela colheita do meio do ano e que, por isso, a maioria dos quitutes é feita de milho, por exemplo, pode despertar neles o interesse pela história. "É necessário recuperar o porquê da tradição da quadrilha, das comidas, da fogueira, para que a festa junina não vire uma mera caricatura do mundo da roça", diz o antropólogo Jadir de Morais Pessoa, professor titular da Universidade Federal de Goiás, especialista em folclore.

2. Desmistificar o homem do campo

Homem do campo não é Jeca Tatu. É interessante apresentar o campo de uma nova maneira e tirar o olhar de deboche sobre o caipira, representado muitas vezes pelas roupas exageradas ou por posturas imbecilizadas. "Trazer uma pessoa da roça para contar dos saberes, descaricaturizar o homem rural. Festejá-lo como sujeito portador de saberes", indica o antropólogo Jadir de Moraes.

Uma maneira de fazer isso é por meio de estudos sociais, geográficos, culturais e históricos. Entender como uma sociedade funcionava em determinada época, quais fatores influenciavam o modo de vestir, agir, alimentação, entre outros aspectos.

3. Envolver os estudantes no assunto

Como trazer os estudantes para o projeto? A escola pode utilizar diversos recursos, como por exemplo, propor que os alunos participem da decoração, confecção de cartazes, fotos, escolha do repertório e coreografia das danças. Dessa maneira, os alunos sentem-se mais confiantes e envolvidos nos acontecimentos, além de poderem colocar a mão na massa e colaborar para que o evento ocorra e tenha uma identidade própria.

4.Associar a festa junina ao trabalho das competências da BNCC

A Base Nacional Comum Curricular  propõe uma série de habilidades e competências que os alunos devem desenvolver ao longo da Educação Básica para que se tornem cidadãos mais críticos e conscientes.

As competências e habilidades propostas pela Base devem ser trabalhadas dentro e fora da sala de aula, no ambiente escolar como um todo, em eventos e também em manifestações culturais promovidas pela escola. Sendo assim, a festa junina é uma oportunidade de implementar as orientações apontadas pela Base de uma maneira diferente e fora de sala.

Dessa forma, a celebração da festa junina pode ser uma maneira da escola de inserir essas competências e habilidades na realidade escolar. Ao invés de a festa ser apenas um dia de dança, comida e customização, é adequado ir além dessa manifestação artística, para que os alunos compreendam o seu contexto histórico e geográfico.

O estudo por trás da festa junina pode ser trabalhado de várias maneiras e em diversas disciplinas, com o objetivo de desenvolver as competências do aluno. A competência geral número 3 da Base, está relacionada diretamente a essa aplicação:

Competência 3:  Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

Uma maneira de aplicar isso no contexto da celebração é destacando a origem dos trajes, como e por que eram utilizados naquele período e local. Além disso, analisar como os alimentos interferem na cultura de um povo, o simbolismo das cores e seus significados. Outra possibilidade é aproveitar a celebração para estudar personagens históricos como Lampião e Maria Bonita.

O importante é fazer com que os estudantes, familiares e a comunidade passam a ver essa data comemorativa  com outros olhos, entendendo como surgiu e qual a sua história. A festa junina passa a ser não apenas um dia de celebração, mas sim, todo um estudo e uma valorização de manifestações artísticas e culturais.

5. Estimular a participação da família

A participação dos pais e familiares é importante para a escola como um todo em vários aspectos. No contexto da festa junina, quando comparecem, os pais estimulam a criança e reforçam a sua auto-estima. Eles também podem contribuir na organização: as escolas podem convidar as famílias a preparar os comes e bebes, por exemplo, ou contribuir com os brindes que serão usados nas brincadeiras.

Além disso, a comunidade escolar pode abrir um espaço para que os membros da família participem e se candidatem a premiações, sorteios, atividades, entre outros. Vale ressaltar a importância desse relacionamento, que resulta em uma participação maior da família na comunidade escolar, fazendo com que eles se sintam inseridos e ativos na vida de seus filhos.

Afinal, essa participação interfere muito no seu desenvolvimento e por isso é essencial que a escola mantenha um relacionamento próximo e aberto com os familiares. Quer saber mais a respeito de como melhorar o relacionamento entre a escola e a família? Baixe o infográfico: 

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